11 julho 2013

RELÍQUIAS DE BRONZE ROUBADAS HÁ MAIS DE 150 ANOS VOLTAM À CHINA



Duas cabeças de animais em bronze que estavam entre os tesouros chineses saqueados de um palácio de Pequim por tropas francesas e britânicas há mais de um século e meio, em 1860, foram devolvidas no dia 28 de junho, sexta-feira, por um colecionador francês.

ANUNCIO NA TV SHANGHAI LIVE: TWO MORE ANIMAL HEADS RETURNED TO CHINA



As esculturas - de um coelho e de um rato - integram um conjunto de 12 cabeças de animais que representam o zodíaco chinês e que faziam parte de uma fonte no Antigo Palácio de Verão, conhecido como Yuanmingyuan em chinês. Hoje o local é um parque que mantém as ruínas no lugar como lembrança dos saques cometidos por potências estrangeiras na China.

BACKGROUND: STOLEN CHINESE ARTIFACTS



O mistério do paradeiro das cabeças e os amplos esforços das autoridades chinesas de recuperá-las (entenda o caso clicando aqui) criaram uma mística ao redor dos artefatos. Até agora, sete das cabeças de animais chinesas foram encontradas e se encontram em museus em Pequim.



A família do bilionário francês e colecionador de arte François Pinault, amenizou uma ferida histórica ao devolver as cabeças de animais de bronze, que estavam entre os tesouros chineses saqueados durante a Segunda Guerra do Ópio.

DOAÇÃO DE PINAULT CHEGA À CHINA



Em comemoração à devolução das peças ao país, o Museu Nacional da China, na Praça da Paz Celestial, realizou uma cerimonia onde François Pinault e a vice-premiê chinesa Liu Yandong, puxaram as coberturas de seda vermelha sobre os pequenos bustos para exibi-los à imprensa.



Na ocasião o filho de François, François-Henri Pinault - executivo-chefe do grupo varejista de luxo Kering – declarou: "Ao devolver essas duas maravilhas para a China, minha família é leal a seu compromisso de preservar a herança nacional e a criação artística".

Em agradecimento, a vice-ministra chinesa da Cultura, Li Xiaojie declarou: "Esse gesto é uma expressão de profunda amizade com o povo chinês".

RELÍQUIAS CHINESAS ARRECADAM MILHÕES EM LEILÃO



A família Pinault comprou as cabeças de um colecionador particular, que as adquiriu no leilão do espólio do estilista Yves Saint Laurent por 14,9 milhões de euros cada, disse o jornal People's Daily no mesmo período.


07 julho 2013

‘WE THINK ALONE’: ARTE ON-LINE VAI ENVIAR E-MAILS ÍNTIMOS

A artista performática, escritora e cineasta norte-americana Miranda July acabou de lançar um projeto de arte on-line colaborativa, que acontece na caixa de entrada (inbox) de quem participar. De 1º de julho a 11 de novembro de 2013, ela propõe a experiência de receber e-mails pessoais de seus amigos e conhecidos.



A proposta surgiu quando July, uma voyeur assumida que sempre teve o hábito de pedir aos amigos que lhe enviasse mensagens endereçadas a outros destinatários, foi convidada pelo museu sueco Magasin 3, para transformar sua “curiosidade sem limites” em uma exposição.

Pensando na curiosidade sobre a vida do outro, a artista criou o projeto de arte “We Think Alone” (Nós Pensamos Sós), onde apresenta uma compilação de e-mails de gente pensante e interessante, sobre temas predeterminados. Mensagens antigas que trazem um pouco do íntimo dessas pessoas de forma divertida e transparente.



A obra é um trabalho colaborativo que, para existir, conta com a participação do público. Quem se cadastrar no site wethinkalone.com, receberá um e-mail a cada segunda-feira, durante cinco meses, com mensagens antigas e originalmente endereçadas a outros destinatários (que não têm seus nomes ou respostas revelados), escritas por dez artistas que vão de gente célebre, a estilistas e escritores.



Os autores dos e-mails são: Kareem Abdul-Jabbar – maior cestinha da NBA de todos os tempos, escritor e diretor de cinema americano; Lena Dunham – diretora americana, escritora e atriz por trás da série “Girls”; Kirsten Dunst – atriz americana; Sheila Heti – escritora canadense; Etgar Keret – escritor israelense; as irmãs Kate e Laura Mulleavy – estilistas americanas à frente da grife Rodarte; Catherine Opie – fotógrafa americana e professora de Arte da Universidade da Califórnia; Lee Smolin – físico teórico canadense-americano; e Danh Vo – artista contemporâneo dinamarquês-vietnamita



Todos eles cederam e-mails escritos bem antes do início do projeto, quando não sabiam que fariam parte de uma obra artística. Por isso Miranda informa que, provavelmente, o conteúdo será livre e genuíno, mas cuidadosamente selecionado pelos autores. Algumas das mensagens podem incluir anexos, como vídeos e fotos.



Os e-mails serão temáticos: July pediu aos participantes que fuçassem suas pastas de mensagens enviadas e encontrassem assuntos diferentes, pessoais ou não, para dividir com o público. Há desde textos sobre questões de dinheiro até e-mails agressivos passando por comentários sobre as mães dos artistas participantes.

“Eu sempre peço para meus amigos me encaminharem e-mails que eles mandaram para outras pessoas – para a mãe, o namorado, o agente – quanto mais mundano, melhor. O jeito que eles se comportam nos e-mails é tão íntimo, quase obsceno – um vislumbre do que eles são sob seu próprio ponto de vista”.



Kirsten Dunst (autora do primeiro e-mail, enviado no dia 1º de Julho) mostrou apenas o necessário, diferentemente da fotógrafa americana Catherine Opie, que escancarou questões afetivas. Segundo July, suas mensagens são as mais reveladoras. "Quando li tudo tive vontade de chorar, foi muito intenso."



“O projeto me deu a desculpa para ler os e-mails dos meus amigos e de pessoas que eu gostaria que fossem amigos e, para o bem ou para o mal, isso mudou a forma como vejo todos eles. Acho que agora eu realmente os conheço. Mas nossa vida interior não é, na verdade, como a vida no computador”.

Fascinada pela relação entre pessoas e tecnologia, July disse ter se surpreendido com sua reação diante do conteúdo de alguns recados. "Criei uma estranha intimidade com pessoas que nem conheço. Não conseguia dormir, preocupada com a possibilidade de acabar com a carreira de famosos", afirma.



‘We Think Alone’ expõe a intimidade alheia e leva à reflexão sobre linguagem, privacidade, tecnologia e contato humano - questões fundamentais na atualidade pós-moderna - atribuída à comunicação eletrônica. Um modo inovador de abordar o voyeurismo e a controvérsia das relações pessoais na comunicação eletrônica.

A ideia é que uma pessoa qualquer, em qualquer lugar, entre em contato com pequenas revelações de outra pessoa qualquer, de qualquer outro lugar. É simples, mas repleto de significação. Neste espaço comum, mas sob sigilo, e-mails se tornam auto-retratos marcantes.



Miranda July é mais conhecida por escrever, dirigir e estrelar o filme "Me and You and Everyone We Know", de 2005, com o qual levou o prêmio de melhor diretora estreante no Festival de Cannes, e "The Future", de 2011. Mas ela também é famosa por seus projetos coletivos.

Video



Em 2010, o SFMOMA (San Francisco Museum of Modern Art) comprou sua arte on-line que durou sete anos, "Learning to Love You More" (Para Aprender a Amar-se Mais, 2002), na qual Miranda criava tarefas como "Make an encouraging banner" (Faça um banner encorajador) e "Make a field guide to your yard” (Faça um guia de campo para o seu quintal). O projeto resultou na adesão de milhares de usuários que participavam fazendo e registrando, em vídeos e fotos, as tarefas indicadas em um site.

19 junho 2013

ESPANHOL É AMEAÇADO DE MORTE POR INVENTAR UMA LÂMPADA QUE DURA 100 ANOS

Fonte: Época Negocios (10/06/2013)



Uma lâmpada fluorescente dura cerca de 10 mil horas. São mais de 416 dias de uso direto, pouco mais de um ano. Bastante tempo. No entanto, o espanhol Benito Muros diz ter criado uma lâmpada que dura 100 anos (no video abaixo) e que está sendo ameaçado de morte por causa de sua criação.



Muros é o presidente de um movimento chamando ‘Sem Obsolescência Programada’ (SOP) e diz que, não só lâmpadas, mas muitos outros objetos de nosso dia a dia poderiam durar muito mais. Para ele, algumas peças essenciais para eletrodomésticos, por exemplo, são colocadas propositalmente próximas das partes que mais aquecem no objeto, diminuindo seu tempo de vida. Soma-se a isso, o uso de materiais de menor qualidade.



Na verdade, existe uma teoria - a da Obsolescência Programada - de que muitos fabricantes desenvolvem produtos de curta durabilidade para obrigar os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real (acima). Segundo o espanhol, fazem parte dessa lista de itens como baterias de celular, computadores, geladeiras e televisões.



As lâmpadas e a causa de Muros e da SOP querem desenvolver um novo conceito empresarial, baseado no desenvolvimento de produtos que não caduquem. Além de terem mais tempo de vida, as lâmpadas desenvolvidas com a Oep Electrics, gastam 70% menos energia que as fluorescentes, e não queimam ao ser acesas e apagadas várias vezes seguidas. A OEP garante dez mil comutações diárias.

OBSOLESCENCIA PROGRAMADA: ENTREVISTA A BENITO MUROS, CREADOR MOVIMIENTO S.O.P.



"Hoje, por exemplo, temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore [California]. Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida”, disse ele à publicação.



No entanto, Muros diz que a descoberta também gerou ameaças. O espanhol chegou a apresentar um recado à polícia que dizia: "senhor Muros, você não pode colocar seus sistemas de iluminação no mercado. Você e sua família serão aniquilados”. Apesar disso, ele conta que não se sentiu ameaçado e que irá continuar defendendo a SOP.